Um dias desses, mais precisamente numa quinta feira ou sexta feira, passei por sentimentos interessantes. Havia eu acabado de dar uma aula na turma de Construção Civil, por sinal, uma turma que adoro. Ao final da aula tivemos direito até mesmo a uma celebração de aniversário de uma aluna, com direito a bolos e parabéns.
Vinte minutos após a celebração eu colocava o pé na Rodoviária de vitória/ ES. Minha vida estava tão corrida que, em semanas, seria a única oportunidade de dar um alô a minha querida mãe, que vinha do Rio de Janeiro. Viagem de urgência, motivos infelizes. Cheguei cedo, algo em torno de 1h de antecedência. Tomei um suco e peguei um livro pra ler. Já se faziam alguns dias que não folheava qualquer literatura. O cansaço tomou conta e entre uma página e outra, eu sempre dava uma espiada (Pedro Bial) nas pessoas ao meu redor.
É engraçado como normalmente não ligamos a mínima para quem divide o mesmo espaço com a gente. São pessoas normais, assim como nós. Havia mães com filhos de colo, senhoras idosas, um rapaizinho com rastafári e acredite... um taco de golf. Havia três belas garotas com uniformes da VALE que, entre uma conversa e outra, pairavam os olhos em mim. Havia um senhor com chapéu de cowboy. Fiquei me perguntando o motivo das viagens dessas pessoas? Visitar um parente querido, uma formatura de um filho, casamento, trabalho. Mas os motivos que me flagrei imaginando foram dois em especial. O primeiro... de alguém ali que acabara de se separar de seu grande amor e estava voltando pra casa ou indo embora. O segundo seria de alguém indo se despedir de uma pessoa querida.
Há duas semanas, recebi a notícia da morte de minha avó. Havia acabado de dar aula pra essa mesma turma querida quando minha esposa me ligou pedido pra eu ir com urgência pra casa. Alguma coisa estava errada e, acreditem, imaginei na hora que o motivo era minha avó. Não fui ao Rio pro enterro de minha nona. Preferi guardar as lembranças dessa guerreira de modo diferente do que ela num caixão. Somente dois meses após sua morte a visitei. Beijei seu retrato e junto de minha mãe, chorei.
Há dois anos eu senti na pele o que é ver seu amor ir embora da sua vida. Ela subiu num ônibus de viagem com uma mala em uma das mãos e meu coração em outro. Eu permaneci sentado no meio fio meia hora depois que o ônibus havia partido, após todos meus argumentos terem se esgotado. Lembro de eu pegar meu celular e conversar com minha mãe. Lembro do amor ter subido naquele ônibus naquela tarde. E de nunca mais ter voltado.
Então, naquela quinta ou sexta feira, quem sabe... fiquei pensando quantas daquelas pessoas estavam ali por terem perdido alguém ou um amor.
Eu perdi os dois.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
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